Janeiro, 2013. Primeiros passos da gestão Pra Frente PRF Ceará
O mês de janeiro foi marcado pela posse estatutária, as primeiras visitas aos aposentados, a cerimônia social de posse conjuntamente com a comemoração ao dia do aposentado e organização e planejamento dos trabalhos da nova diretoria.

Como está previsto em nosso estatuto, foi realizada a posse da nova diretoria no dia dois de janeiro num evento simples, com a presença marcante de vários policiais e familiares apesar da inconveniência da data. A Comissão Eleitoral dirigiu a cerimônia de transmissão de diretoria, tendo a presidente Tatiane Vasques entregue simbolicamente as chaves do sindicato ao novo presidente Lourismar Duarte. Discursos enfatizaram o trabalho realizado e os desafios a serem enfrentados.
A nova diretoria inicia os trabalhos realizando o planejamento para cumprir a carta programa e os primeiros passos já estão sendo dados com reuniões de diretoria, do presidente com diretores, e também com funcionários.
Visitas aos nossos assessores contábeis e jurídicos também foram realizadas. A categoria tomou conhecimento da nomeação do Dr. Marlon Cambraia para a secretaria de governo municipal de Fortaleza mas o mesmo manteve contato com a diretoria e manifestou o compromisso de seu escritório continuar prestando o mesmo serviço de qualidade pelo qual a categoria o conhece.

Na terceira semana de janeiro foram iniciadas as visitas aos aposentados. Foi o primeiro passo, muito bom por sinal, mas que precisa ser mais estruturado para que possamos fazer uma visita mais qualificada e que nos permita conhecer mais do dia a dia de nossos companheiros aposentados e pensionistas.
No dia 25 de janeiro realizamos a cerimônia social de posse e contamos com a presença de vários companheiros policiais, parlamentares da esfera federal, Secretário do Município de Fortaleza, dirigentes do SINPRF-PB, representante da FENAPRF, Casa do Inspetor, presidente e representantes do SINPOF, presidente e representantes do SINPOCI, assessor do SINDEPOL, vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras, CTB - Ceará, representantes de órgãos da segurança pública e do representante da 16ª. SRPRF.

Estiveram presentes ao evento os deputados federais Chico Lopes (PCdoB), Edson Silva (PR) e Zé Airton (PT). A 16ª. Superintendência da PRF foi representada pelo Inspetor Gláudio Moura, Superintendente Substituto, o Dr. Marlon Cambraia compôs a mesa como Secretário de Governo da Prefeitura Municipal de Fortaleza. O novo presidente iniciou a série de discursos enfatizando que o nosso sindicato tem lado e que esse lado é o lado dos trabalhadores, que precisamos de uma polícia para os tempos de hoje que seja uma defensora das instituições democráticas e dos direitos dos cidadãos. Encerrou o discurso citando a carta programa "Vamos construir o futuro! Um futuro só se constrói alicerçado no presente e no passado. Lutando por nossos direitos, valorizando a luta e a história de nossos aposentados e pensionistas... É para isso que estamos aqui!"

Após o encerramento da solenidade os convidados participaram da festa do aposentado, onde foi servido um almoço acompanhado de música, homenagem aos Insp. Marques feita por seus filhos, a benção do Padre ..., filho do PRF Marques, contação de piadas e causos e sorteio de brindes simbólicos.

DISCURSO DE POSSE DO NOVO PRESIDENTE DO SINDPRF-CE

Trechos dos discursos proferidos pelo presidente Lourismar Duarte na ocasião da posse estatutária em 02.01.2013 e na cerim6onia social de posse em 25.01.2013.
Esse pronunciamento, o discurso de posse, é a reafirmação de nossas ideias e de nossas propostas.
No ano passado após uma intensa campanha salarial que uniu diversos setores do funcionalismo público federal, com diversas marchas e manifestações em Brasília e nos Estados conseguimos vencer uma guerra - sim não se trata de uma batalha, vencemos a guerra com uma conquista importante: o cargo de PRF é de nível superior!
Colaboramos na construção de um importante instrumento de luta para o funcionalismo público, além de nos inserirmos no movimento sindical de forma mais geral: O fórum das entidades nacionais dos funcionários públicos federais.
Apesar de não podemos festejar o aumento conquistado e do nível superior não trazer este reconhecimento imediatamente, fomos alçados a outro patamar.
Esse novo patamar tornou ainda mais urgente uma questão há muito necessária para nosso crescimento como Instituição e como policiais rodoviários federais. É fundamental uma discussão profunda sobre a nossa PRF: que polícia queremos? Precisamos saber qual a polícia ideal, não a polícia que eu quero, que tu queres, ou que ele quer, mas a PRF ideal para a sociedade brasileira. O reconhecimento da sociedade, o poder de exigir reconhecimento passa pelo nosso fortalecimento e o nosso fortalecimento é o fortalecimento da Instituição.
Qual a polícia queremos?
Permitam-me ler um pequeno trecho de dois livros:
Thomas H. Holloway, em Polícia no Rio de Janeiro, Repressão e resistência, do século XIX, retrata a Instituição policial:
"Na década de 1820, as autoridades policiais continuaram a aplicar o açoite corretivo a pedido dos senhores de escravos, cobrando uma taxa mínima de 160 réis por centena de golpes, mais 40 réis por dia para cobrir os custos de subsistência, sem fazer perguntas sobre o suposto delito. Uma relíquia da era escravista, que ainda deve chocar o leitor moderno, é o livro em que se escriturou a receita proveniente do pagamento desse serviço em 1826. Naquele ano, um total de 1.786 escravos, entre os quais 262 mulheres, foram açoitados no Calabouço a pedido de seus senhores, o que dá uma média de cinco por dia. A maioria recebeu 200 açoites, enquanto alguns receberam 50 e outros, 400."

Em Luta, Substantivo Feminino Mulheres torturadas, organizado por Tatiana Merlino e Igor Ojeda, editora Caros Amigos, 2010, encontramos histórias e depoimentos de mulheres que lutaram na resistência a ditadura militar instaurada em 1964:
"Fomos colocadas na solitária, onde ficamos por três meses, sendo tiradas apenas para sermos interrogadas sob tortura. Era choque elétrico, pau de arara, espancamento, telefone, tortura sexual. Eles usavam e abusavam. Só nos interrogavam totalmente nuas, juntando a dor da tortura física à humilhação da tortura sexual. (...) Quando eu já estava muito arrebentada, um torturador me tirou do pau de arara. (...) Não parava em pé, e fui estuprada assim pelo sargento Leo, da Polícia Militar. (...) eles passavam noites inteiras me descrevendo o que iam fazer com a minha menina de quatro meses ... Vamos colocá-la numa banheirinha de gelo e você vai ficar algemada marcando num relógio quanto tempo ela leva para virar um picolé...


Na verdade a história do Brasil sempre teve uma marca de patrimonialismo e conservadorismo das elites quer sejam senhores de escravos, monarcas, proprietários de terras, capitalistas ou banqueiros. Sempre usaram a polícia de acordo com seus interesses. Nós não queremos essa polícia. Queremos uma polícia para os tempos democráticos, que defenda os direitos dos seus cidadãos. Aliás, essa de policia cidadã que várias instituições perseguem, este título nos já o temos: somos conhecidos como uma polícia cidadã. Não queremos uma polícia a serviço das elites. Não queremos a polícia para dar chibatas em escravos, nem para bombardear com aviões os camponeses - povo de Deus do beato Lourenço do sítio Caldeirão no Cariri, ou para torturar opositores de governos. Precisamos de uma polícia para os tempos atuais que seja elemento primordial na defesa da democracia. Queremos uma polícia cidadã, que sirva ao povo brasileiro, protegendo-o e a seus direitos, defendendo suas instituições democráticas.
Companheiros, faremos um sindicalismo de luta!
Um Sindicalismo classista, pois sindicato tem lado na sociedade - o lado dos trabalhadores!
Por isso, eu afirmo, nós temos um lado: o lado de quem vive de salário, o lado de quem troca a sua força de trabalho pelo seu sustento e de sua família.
Inocentes os acham que em sociedade tudo é farinha do mesmo saco, que todos Calçam 40, que o mundo está divido entre o bem e o mal: A vida e a realidade são bem mais complexas do que os contos de fada. Inocentes só servem de fantoches para os atores e os interesses que fazem a história social.
Nós não achamos que todos são iguais ou que não há lados na nossa sociedade: não somos do lado de quem vive de explorar homens e mulheres, de explorar comunidades ou países, dos que vivem do suor e de juros de agiotagem financeira. Reafirmo, temos lado, somos do lado dos trabalhadores, desse povo que se sustenta pelo seu trabalho e não vive da exploração do trabalho de ninguém ... temos orgulho disso!
Não somos fantoches da grande mídia ou das elites brasileira e mundial
Insatisfeitos por um operário ter tirado o Brasil de sua posição de joelhos frente a comunidade internacional, semeiam conservadorismo preconceituoso contra a classe trabalhadora com saudade do tempo em que o presidente brasileiro tinha a obrigação de discursar em inglês...
Portanto delimitando espaços quero dizer que somos partidários de um sindicalismo classista, é a nossa classe é a dos trabalhadores!
Não concordamos com esse mundo maravilhoso que o capitalismo construiu: fome, desigualdade, guerra, violência, exploração de homens por homens e de países por países! Precisamos de uma sociedade mais justa e igualitária. Só quem vive do fruto de sua força de trabalho pode lutar por ela!
Precisamos de um Brasil mais justo, mais democrático, com oportunidade iguais para todos. Um Brasil e um mundo mais humano que seja solo fértil para a desenvolvimento do ser humano em si, com igualdade e fraternidade!
Faremos um sindicalismo de luta que estará de olho nas mais simplórias condições e ambiente de trabalho, como a falta de um copo descartável, mas mirando o horizonte das questões de maior amplitude tanto do DPRF, quanto do País.
O DPRF mudou, fruto de nossa luta, e mudaram diversas Superintendências. Devemos estar vigilantes quanto ao rumo dessas mudanças para que sejam as mudanças que a nossa categoria e a sociedade desejam.
Nosso relacionamento com a administração será respeitoso e com total independência. Não haverá censura em qualquer tema ou discussão. Podemos e devemos discutir todos os assuntos que repercutem na vida profissional dos nossos associados. Propomos audiências públicas para os temas mais polêmicos. O canal de discussão séria é o sindicato, a rádio guarda é salutar para outros objetivos. A questão correicional está sendo suscitada e nós a discutiremos, e queremos discutir em alto nível. Já me coloquei a disposição dos colegas em duas situações que caso entendam que houve excesso na conduta correicional providenciemos a representação para apuração dos fatos. É preciso extremo cuidado nestas condutas, assim como temos que ter os cuidados para respeitar os direitos dos cidadãos em nossas abordagens cotidianas, os colegas que trabalham na área correicional devem ter extremo cuidado nas abordagens e apurações, pois estamos adentrando no terreno da vida profissional de cada colega. O sindicato estará vigilante e não admitirá retrocesso nas conquistas dos trabalhadores. Temos uma pauta extensa de propostas em dezesseis itens e faremos todo esforço para cumpri-las.
(...) Encerro citando a nossa carta proposta: "Vamos construir o futuro! Um futuro só se constrói alicerçado no presente e no passado. Lutando por nossos direitos, valorizando a luta e a história de nossos aposentados e pensionistas."
É para isto que estamos aqui!
Muito obrigado.
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