Há um porquê para a existência de um “Dia Internacional da Mulher”: a incapacidade humana, notadamente a masculina, de reconhecer os próprios erros, e, partindo dessa compreensão, escrever uma nova história, ou, pelo menos, outro final. Acredito ser indeterminável o momento em que a primeira mulher passou a ser reduzida em sua grandeza e magnitude, quer por atos, palavras, omissões, ou da parte de quem tenha sido, homem, ou também mulher – hipótese mais triste ainda, o fato é que a humanidade não precisava de passar por isso. Quanta dor e sofrimento causados por distorções, mentiras, incompreensões, ignorância, intolerância, desrespeito, enfim, pela insegurança de alguém que, ante uma mulher, sente-se diminuído e, por essa razão, quer diminuí-la, minorá-la, reduzi-la a algo menor que tais sentimentos inferiores e rasteiros.
Celebremos, pois, a sensibilidade, a beleza – presente nos olhos de quem vê, a completude e o completar-se, e alcemo-la ao patamar de direito, para sermos dignos, inclusive, da vida, de quem ela é o receptáculo, a geratriz do que somos, e do que nos tornamos enquanto seres humanos.
Olhemo-la com a certeza de vermos a nós mesmos, parte primordial do todo, porção sem a qual o sentido se vai, os sentidos se perdem, e tudo fica menos belo, incompleto, sem graça e sem luz.
Jamais esqueçamos a luta das pioneiras, das primeiras a se rebelarem, a exigirem a reparação, o reconhecimento e a valorização, tudo o que lhes foi usurpado por anos sem fim de exploração e de indecência. Elas não foram queimadas, violadas, deturpadas, sacrificadas, em vão.
Parabéns às mulheres, de ontem e de hoje, e às de sempre, que estarão lado a lado com os iluminados pela inteligência, pela decência, pela lucidez e percepção de que juntos sempre podemos mais, de que as partes integram e mantêm o todo em sua razão de existir. Nada somos, um sem a outra. Tudo fazemos, criamos, mantemos, reproduzimos, melhoramos, em conjunto, de mãos e corações unidos, em favor do engrandecimento do gênero humano.
Perdoem-nos, faz-se necessário, até disto precisamos de vocês, e não se deixem intimidar, jamais recuem, não abram mão de serem quem são, de serem felizes, pela infelicidade de quem quer que seja. A vocês é devido, no mínimo, a metade de tudo o que há, e do que haverá! Tomem posse e o universo será completo. Sempre.
SINDPRF-CE/MARÇO 2020
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